A renda de bilro é uma atividade exercida em Florianópolis desde o século XVII e é inegável a sua importância dentro do contexto cultural da cidade que reúne o maior número de rendeiras do sul do Brasil. São descendentes das famílias açorianas que ocuparam a antiga Vila do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, desenvolvendo atividades ligadas à agricultura e à pesca de subsistência.
Os bilros são pequenas bobinas de madeira, geralmente preparadas e torneadas pelos maridos ou por parentes das rendeiras. Quando novos, os bilros são opacos, mas, com o tempo, vão ficando brilhosos, como se fossem encerados, resultado da oleosidade das mãos durante o manuseio. Os bilros são manejados aos pares pela rendeira, em movimento rotativo.
Para armar a renda, são utilizadas almofadas em formato de cilindro, feitas de tecido de algodão e recheadas com “barba de velho”, capim de colchão, palha de bananeira, serragem, ou, ainda, esponja sintética, também denominada de espuma, misturada com estopa.
As almofadas são apoiadas em caixas de madeira ou cavaletes, também chamados de cangalha, que, quando não estão sendo utilizados, podem ser desarmados. Algumas caixas são providas de gavetas, para armazenar os bilros.
Antigamente, as rendeiras faziam a renda no chão, sentadas sobre as pernas acomodando as almofadas em cangalhas baixas, reaproveitadas de caixas de sabão ou de frutas trazidas dos mercados. Hoje em dia, os cavaletes de madeira, com altura adequada, permitem que traballhem sentadas em cadeiras ou poltronas, com mais conforto. O fato de que os cavaletes são desmontáveis facilita o transporte dos materiais necessários para a confecção da renda, principalmente quando vão participar de feiras ou exposições.
A renda está em foco, induzindo as rendeiras a inovação e aprimoramento constantes. Elas estão sendo impelidas a criar novos piques, introduzir novas linhas e cores, para atender pedidos de empresários que querem, por exemplo, embalagens para garrafas de vinho, e de estilistas que querem introduzir a renda nas confecções. Os artesãos, inclusive ceramistas, estão cada vez mais incluindo a renda em suas criações.
Os trabalhos que antes eram basicamente produzidos nas cores branca e bege, hoje em dia acolhem uma enorme gama de cores. A artesã Maria de Lourdes de Jesus é uma entusiasta da introdução de cores na confecção das rendas: “O diferente dá mais ânimo, o colorido dá mais vida”.
Período
de 27 de outubro até 04 de dezembro de 2011
Realização
Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro
CNFCP/Iphan/Ministério da Cultura
Patrocínio
Caixa Econômica Federal
Parcerias
Casa dos Açores
Prefeitura Municipal de Florianópolis
Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Caiscaes
Apoio
Casarão das Rendeiras
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